segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

PMDB quer diretoria na Petro: mais um passo para a deterioração da empresa?

Principal aliado do PT (Partido dos Trabalhadores) tem interesse em nomear o deputado Mauro Lopes, eleito em Minas Gerais; empresa ainda possui bastante cunho político, diz Carlos Müller, da Geral Investimentos

Por Felipe Moreno - Infomoney




SÃO PAULO - A diretoria da área internacional da Petrobras (PETR3; PETR4) virou motivo de cobiça em Brasília. Vago, o cargo virou sonho de consumo do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) - principal aliado do PT (Partido dos Trabalhadores) -, que tem interesse em nomear o deputado Mauro Lopes, eleito em Minas Gerais, segundo reportagem do Valor Econômico.
Para o mercado, esse seria mais um passo de deterioração da estatal - que vem sofrendo há meses com a ingerência política sobre o que seriam as melhores práticas gerenciais possíveis para a petrolífera, derrubando as cotações. Desde que assumiu a presidência, Dilma Rousseff tem tentado nomear um quadro mais técnico que seu antecessor, Lula, substituindo o antigo presidente da companhia, Sergio Gabrielli - filiado ao PT - por Maria das Graças Foster, que iniciou a sua carreira na empresa como estágiaria.
Por isso mesmo, surge a dúvida: o que o governo deverá fazer em relação a cobiça de seus aliados? "Díficil dizer, eu acredito que, pelo perfil dela, pelo histórico, a preferência é que seja um nome técnico, mas a gente não tem como saber o que virá adiante", avisa Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos. Nomes técnicos especulados pela notícia do Valor são José Lima de Andrade Neto, atual presidente da BR Distribuidora, e o outro é Irani Varella, ex-diretor de Serviços da Petrobras entre 1999 e 2001.
Maria das Graças Foster tem perfil mais técnico, mas possui limitações (Reuters)
Maria das Graças Foster tem perfil mais técnico, mas possui limitações (Reuters)
Eleições de 2014
O principal fator para fazer com que Dilma venha a ceder é a eleição presidencial de 2014. "A gente vai ver muita costura política ainda por conta disso", alerta o analista, chamando a atenção para o fato de que as estatais podem ser usadas para atingir os objetivos de governabilidade.
Atualmente, a base governista passa por um impasse: os dois maiores partidos aliados, o PMDB e o PSB (Partido Socialista Brasileiro) querem maior participação no governo e mais cargos. O PMDB se interessa por cargos de segundo ou terceiro escalão, como a diretoria da Petrobras, enquanto o PT avalia permitir que Eduardo Campos, governador de Pernambuco pelo PSB, seja candidato a vice-presidente na chapa de Dilma.
Atualmente, esse posto é ocupado por Michel Temer, do PMDB. O partido não tem interesse em mudar isso - ao menos não facilmente. É possível que Campos, bastante influente e popular no nordeste, seja um candidato próprio pelo PSB em 2014 - algo que o PT quer evitar. Com a situação política delicada, cresce a importância dos cargos das estatais, ministérios e secretarias como forma de se conseguir apoio político desses partidos.
Empresa ainda tem cunho político
Há vozes no mercado que acreditam que a situação da Petrobras é injusta com a nomeação de Graça Foster para a presidência e a adoção de uma postura mais pragmática em relação à empresa. Müller discorda. "A Graça Foster pode ser bastante técnica, faz o que pode, mas tem as suas limitações", diz.
Ele salienta que a empresa continua sendo usada como meio de controlar a inflação. "A Dilma tem um perfil bastante técnico, mas se a gente observar que o reajuste dos combustíveis veio depois da queda do preço de energia, percebemos que a empresa ainda tem bastante cunho político", afirma.  
A esperança do analista fica no longo prazo - já que se atualmente a Petrobras é usada para segurar a inflação e estimular a economia nacional, é possível que ela volte a buscar maior eficiência geracional quando o cenário se estabilizar. "Mas, por enquanto, a Petro não deve ter um perfil semelhante ao de uma empresa privada. O cenário continua bastante complicado, não espero que isso mude no curto prazo", finaliza o analista.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Luxemburgo foi mais pragmático que o Abel!

O Grêmio demonstrou a força do seu time contra o Fluminense. É bem verdade que Luxemburgo tem uma quantidade grande de jogadores recem incorporados ao elenco, mas o mandatário do Grêmio (Fábio Koff) pôs R$ 20 milhões na mão do Luxa e vai querer resultados. E rápido!
O time de Luxemburgo fez bem o dever de casa, ou melhor, de fora de casa. Seu time joga num 4-4-1-1 interessante, com veterano Zé Roberto em excelente forma e com ampla liberdade de articular por todo campo, mas sempre com funções, principalmente de marcação, fechando o lado esquerdo, já que Elano rende pela direita, e infiltrando vindo de trás num elemento nada surpresa. Duas tradicionais linhas de 4 compactas, em teoria sempre, na pratica ainda não, formaram o ferrolho gremista contra o pragmatismo da equipe de Abel Braga.
O ponto chave foi as inversões constantes entre Hernan Barcos e Eduardo Vargas. Luxemburgo foi muito feliz na composição tática para saída de Barcos de perto da área e entrada de Vargas projetado contando com a precisão nos lançamentos do grandalhão atacante em lances que resultaram diretamente em 2 gols da equipe do Grêmio e definiram o jogo.
O Fluminense apático viu que não pode vencer os jogos na hora que quiser. Com sua articulação muito bem marcada o tricolor carioca abusava de cruzamentos infrutíferos ou buscava seu velocista Wellington Nem sem muito sucesso.
Surpreendente, ao menos para mim, foi a atuação destacada da zaga do Grêmio, especialmente do zagueiro Cris, que havia falhado decisivamente conta o Huachipato. Dessa vez se mostrou bem seguro nas coberturas e atento nos combates 1 contra 1. André Santos também não foi mal na defesa e se destacou no apoio.
Para quem já apostava numa queda precoce do Grêmio, até do Luxembrugo porque não, a coisa mudou de figura. Parece que o profexô ainda tem lenha pra queimar.

Em cinco anos, governo de MT tira R$ 661 mi de verba para estradas para gastar em obras da Copa


Vinícius Segalla
Do UOL, em São Paulo


O governo do Estado de Mato Grosso vem retirando desde 2009 verbas de um fundo estadual criado para custear obras de manutenção e melhoria de rodovias e para investir em projetos habitacionais e realocando este dinheiro nos cofres da Secopa-MT, secretaria que toca as obras que estão sendo construídas para o Mundial de 2014.
De 2009 a 2013, o Fethab (Fundo Estadual de Transportes e Habitação) já cedeu R$ 660,8 milhões à Secopa, de acordo com dados da Secretaria da Fazenda do Estado de Mato Grosso.
Neste ano, dos R$ 640 milhões que o fundo deverá arrecadar, R$ 131 milhões irão para a Secopa, que está construindo, entre outras empreitadas, a Arena Pantanal, estádio para 43,6 mil orçado em mais de R$ 500 milhões e que, após a Copa, quando será utilizado em quatro partidas, ficará à disposição do futebol mato-grossense. No ano passado, a final do Campeonato Mato-Grossense, entre Cuiabá e Luverdense, atraiu um público de 1.621 pessoas.
O Estado de Mato Grosso possui cerca de 27 mil quilômetros de estradas estaduais. Desses, apenas 20%, ou 5,4 mil quilômetros, são asfaltados. As verbas do Fethab são utilizadas para pavimentar as rodovias estaduais. Em 2012, somente 150 quilômetros de rodovias foram asfaltadas pelo governo estadual.
Os recursos do Fethab são oriundos de contribuição imposta aos produtores agrícolas e deveria ser utilizado integralmente na melhoria de estradas e construção de habitações. Isso porque, quando foi constituído, a missão do fundo era melhorar as estradas do Estado para que seus produtos agrícolas - a maior riqueza de Mato Grosso - pudessem ser transportados com maior eficiência, reduzindo seu preço.
Em setembro do ano passado, o grupo intersetorial Movimento Pró-Logística apresentou aos produtores rurais e entidades ligadas ao setor um projeto chamado "Corredores Estaduais do Agronegócio". A análise apontou 120 trechos de rodovias estaduais que seriam fundamentais para o escoamento da produção de Mato Grosso. O projeto considerou as cadeias de produção da soja, milho, pecuária bovina, madeira e insumos agrícolas. Só nestes trechos são mais de dez mil quilômetros que precisariam de investimentos em pavimentação e recuperação. Aparentemente, porém, esta não é a prioridade da Secopa.

Obras para a Copa de 2014200 fotos

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Arena Pantanal atingiu 62% de sua conclusão em fevereiro de 2013 Portal da Copa/Divulgação

De ilegal a legal
Em dezembro do ano passado, faltando duas semanas para o fim do ano legislativo, o governo estadual encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que tramitou em caráter de urgência urgentíssima. Foi um projeto para alterar a Lei Complementar 360/2009, tornando legal, retroativamente, todos os desvios de verbas do Fethab para os cofres da Secopa, que vinham sendo à contrariedade das normais estaduais.
O projeto ainda previa que, a partir de então, o Executivo poderia sempre tirar até 30% dos recursos do Fethab e de outros fundos para gastar onde bem entendesse. Foi aprovado, e o que era ilegal, tornou-se legal. Poucas foram as vozes na Assembleia que se levantaram contra a manobra do Executivo.
A deputada Luciane Bezerra (PSB) foi uma delas. "O governo não pode usar esta Casa para legitimar atos que cometeram na ilegalidade. É isso que nós, parlamentares, estamos aprovando hoje!", disse, à época da tramitação do projeto de lei, a parlamentar. Foi voto vencido.
A Secopa informa que não gastou até agora todo o dinheiro da Fethab que caiu em seus cofres, e que é possível que devolva parte desses recursos. De acordo com o secretário da pasta, Maurício Guimarães, até agora, foram gastos R$ 156 milhões da Fethab, a maior parte na Arena Pantanal.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O atropelamento do Espanyol pelo Barcelona na La Liga

O Blog volta neste novo ano também com futebol.
O jogo analisado é o ocorrido no domingo último, Barcelona e Espanyol.
A equipe do Espanyol, que tem por mascote o periquito, encontra-se em situação bastante decadente. Rondando a zona do rebaixamento, a equipe pena por conta do seu fraco elenco é já é possível prever o sofrimento dos torcedores espanyois, muito embora o campeonato esteja apenas no começo.
A equipe tentava barrar os grenás ora com uma linha de 5 jogadores na zaga e outra de 4 no meio campo, ora num 4-1-4-1, ou até mesmo com 6 na zaga e 3 no meio.
Demonstrou muito pouca organização ofensiva, praticamente não exigiu defesas de Valdes. Os destaques positivo do time, se é que pode-se dizer isso, são o bom e velho português Simão Sabrosa, que apesar dos 33 anos ainda pode dar um caldo e o campeão mundial pela Espanha o regular lateral esquerdo Capdevilla.
Com relação a equipe catalã podemos ressaltar a mudança mais perceptível na forma de jogo da equipe na era Vilanova. Guardiola marcou era trazendo de volta o futebol total da década de 1970. Tito por certo encontrou uma equipe funcionando e colocou em prática seus ajustes. Com ele o Barça é mais vertical e menos móvel, seus jogadores guardam mais posição, Messi faz menos jogadas de facão "direita-centro" e atua bem mais como um 9, flutuando menos no costado do meio campo adversário, enquanto o meio do time roda menos. O jogo agora é ligeiramente menos burocrático e até agora mais eficiente, já que o Barcelona faz mais gols (toma mais é bem verdade). Outro ponto interessante é a redução da compactação da equipe: a maior elasticidade permite menos lances em bloco e mais bolas esticadas e viradas de jogo, explorando bem as laterais. Sofre a parte defensiva, mais exposta, já que surge um delay com relação a chegada na marcação (daí possivelmente o aumento no número do gols sofridos).
Numa analogia pouco convencional poderíamos comparar a equipe de Pep a um maquinário de engrenagens de tamanhos semelhantes e grudadas, todas girando sem parar e uma movimentando a outra, enquanto a equipe de Tito estaria mais para um conjunto de correias e polias de tamanhos diversos, que giram sim, mas mais distantes e em diferentes frequências.
Messi foi discreto apesar de decisivo como sempre, talvez pelo ritmo de treino do jogo, Iniesta jogou bem e Fábregas gastou a bola.
Vamos ver como se sairão os Grenas na Champions...

Governo acelera a criação de estatais que não geram receita

 06/01/2013 - 04h00



A prática de criar estatais foi ressuscitada pela administração petista e acelerada pela presidente Dilma Rousseff, mas a maior parte das novas empresas está longe de fazer jus a essa qualificação.
Diretorias de novas estatais são ocupadas por indicação política
Andre Borges /Folhapress
Sede da Hemobrás, em Braília, única das estatais criadas nos governos petistas que deu os primeiros passos para gerar receita
Sede da Hemobrás, em Braília, única das estatais criadas nos governos petistas que deu alguns passos para gerar receita
Levantamento feito pela Folha mostra que, em uma década, os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma deram à luz dez estatais, quatro delas nos últimos dois anos --não foram incluídas na conta subsidiárias de empresas preexistentes, como a CaixaPar, o Banco Popular e a recém-lançada Infraero Serviços.
Da lista, apenas uma já deu os primeiros passos rumo à geração de receitas suficientes para financiar seus investimentos e operações: a Hemobrás, fundada em 2004 para fabricar e vender medicamentos derivados do sangue.
As demais ou não saíram do papel ou são mantidas com recursos da arrecadação de tributos como uma repartição pública.
Aprovada por lei no mês passado, a EPL (Empresa de Planejamento e Logística) já está classificada pelo Ministério do Planejamento entre as estatais dependentes do Tesouro Nacional, ao lado de outras cinco criadas nos governos do PT.
TREM-BALA
A EPL tomou o lugar da Etav, uma breve empresa criada no ano anterior exclusivamente para viabilizar o trem-bala nacional --e que, de um orçamento de R$ 166 milhões, desembolsou apenas R$ 3 milhões com salários e despesas administrativas.
Também necessitam do dinheiro do contribuinte a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), o Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada), a EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e a Amazul (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa).
A maior delas, a EBC, não é propriamente uma novidade: surgiu em 2007 a partir de uma ampliação da antiga Radiobrás. No ano passado, segundo dados preliminares, ela gerou cerca de R$ 70 milhões em receitas com os serviços de radiodifusão, mas suas despesas ultrapassaram os R$ 400 milhões.
Criado em 2008 para fabricar chips eletrônicos, o Ceitec informou uma receita de R$ 300 mil no ano passado com a venda de seus produtos para a iniciativa privada. A legislação considera microempresas aquelas com receita anual até R$ 360 mil.
Outras duas estatais estabelecidas por lei nos últimos anos ainda não existem na prática: a PPSA, concebida para explorar o petróleo do pré-sal, e a ABGF, apelidada de Segurobras, para garantir obras de infraestrutura.
LEGADO ESPORTIVO
O caso mais inusitado é o da Brasil 2016, ou Empresa Brasileira de Legado Esportivo, criada no final do governo Lula para desenvolver projetos ligados à Olimpíada do Rio de Janeiro. Descartada antes de esboçar qualquer iniciativa, ela foi incluída no Programa Nacional de Desestatização.
Mesmo sem nunca ter entrado em operação, registrou como único gasto em seu balanço R$ 110 mil para remunerar conselheiros.
A Hemobrás, até agora, é a única incluída no orçamento federal de investimentos, que reúne as empresas utilizadoras de recursos próprios, como a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos.
Ela recebeu aportes do Tesouro Nacional para a abertura de uma fábrica em Pernambuco, ainda não concluída. De um orçamento de R$ 264 milhões em 2012, R$ 50 milhões foram investidos até outubro.



Por: GUSTAVO PATU
BRENO COSTA
DE BRASÍLIA





Comentários do Blogueiro: Bom, como muitas coisas na vida e na economia as estatais são uma faca de "dois legumes". São importantes para consecução de escala em determinados negócios ou em alguns dos chamados monopólios naturais, enfim, em setores os quais se mostrem necessários investimentos que ainda débeis ou inexistentes por parte da iniciativa privada não suprem as necessidades nacionais, regionais ou mesmo locais. Diante disso a injeção de capital feita pelo governo é altamente salutar, mais que isso, no limite pode se tornar um pilar importante da economia nacional, como é o caso dos bancos (CEF, BB, BNDES, Banese), Petrobrás, entre outros.
No reverso da moeda temos iniciativas do governo que servem apenas como cabide de emprego ou para manipulação de setores que em geral redundam em distorções para a economia, modificações oportunas em resultados de agregados econômicos ou apenas desvios de verbas. Exemplos no Brasil não faltam, sem contar as empresas que simplesmente não conseguem operar na azul mesmo após anos, muito investimento e proteção do governo contra a concorrência.
No caso da reportagem parece que está ocorrendo investimentos de base, então é até certo ponto natural que haja investimento e que as empresas operem no vermelho. 
O problema é: por quanto tempo?

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Vereadores grátis




 Comentários do Blogueiro: Obvio que o projeto não irá resolver todos os problemas do Brasil na seara política, mas pode ser bastante interessante para mitigar os candidatos "especializados em vencer eleições". Na esteira de melhorias institucionais, políticas e de governança esse projeto pode servir como instrumento de mudanças importantes na esfera municipal, por vezes a mais difícil de ser atingida por mudanças significativas. Deve vingar, com o perdão do trocadilho infame, se não como projeto, mas ao menos dando um gostinho de revanche ao povo.



Aloysio Nunes Ferrira: relator

Ao que tudo indica, o cargo de vereador caberá mesmo aos altruístas apenas. Aquela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da remuneração a legisladores de municípios com até 50 000 habitantes (Mais detalhes em: O fim do salário de vereador) já tem relator e parecer quase pronto.
Cyro Miranda, autor da PEC, está vendendo otimismo. Diz que o relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Aloysio Nunes Ferreira, deve entregar seu parecer até o fim do mês, e com poucas alterações no texto original.
Segundo Cyro, Aloysio planeja incluir somente a previsão de uma ajuda de custo de um ou dois salários mínimos para cobrir custos, como transporte e alimentação. E Eunício de Oliveira já avisou: assim que receber o relatório, põe o projeto em votação na CCJ, o que pretende fazer antes do recesso.
Os vereadores que passem a economizar desde já.
Por Lauro Jardim, Veja.com

Radar on-line

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Por que demoramos tanto para perceber que as finanças saíram do controle?

Especialistas explicam mecanismos da mente que nos fazem "ignorar" sinais de problemas financeiros e dão dicas para que dificuldades sejam identificadas mais facilmente


Por Tabata Pitol 


SÃO PAULO - A pedagoga Cristina Queirós levou um susto quando se deu conta de que estava devendo mais de R$ 70 mil. Sem saber ao certo como as finanças chegaram a esse estágio – uma vez que não havia comprado bem de grande valor –, ela só percebeu o tamanho do problema ao pedir R$ 10 mil ao marido para pagar contas em atraso.
“Eu não sabia que estava devendo tanto. Sabia que tinha cartões de crédito e empréstimos em atraso, mas não sabia o real valor das minhas dívidas. Achei que R$ 10 mil seriam suficientes. Mas meu marido quis que eu mostrasse tudo o que estava devendo antes de me emprestar o dinheiro, e só quando coloquei tudo no papel percebi que estava muito mais endividada do que imaginava”.
previdência - orçamento - dívidas
O ideal é, mês a mês, parar para avaliar o orçamento e se questionar se os gastos são maiores ou menores que os ganhos
Cristina não é um caso raro entre os brasileiros. Muitas pessoas só percebem que as finanças saíram do controle quando já estão muito endividadas. “Infelizmente a própria biologia do ser humano explica por que ele demora tanto para perceber que está em problemas financeiros. Preferimos fingir que não estamos vendo. Acreditamos nas contas de cabeça que nunca são exatas. Nomeamos de dissonância cognitiva o processo que nos leva a duvidar do óbvio, a negar todos os sinais de que algo não está indo bem”, conta o economista pela PUC-SP e especialista em investimentos e métodos quantitativos pela FGV, Richard Rytenband.
O planejador financeiro Valter Police completa: “Não é uma coisa que se faz de propósito, mas a pessoa vai deixando passar. Parece impossível engordar 100 kg sem se dar conta, não é? Mas a televisão está cheia de programas com pessoas que chegaram à obesidade mórbida sem procurar um médico, fazer uma dieta ou começar um programa de exercícios. O mesmo acontece quando o assunto é dinheiro”.
Buscando soluções
No entanto, o fato de ser algo recorrente não significa que devemos considerar como normal. “Temos que assumir nossas responsabilidades e nossos atos. Nos endividamos excessivamente porque descuidamos das finanças. A culpa é nossa e só nós podemos impedir que a situação se agrave cada vez mais”, afirma Police. Para ele, nada é mais eficaz do que colocar, na ponta do lápis, os gastos e ganhos para evitar o endividamento.
O consultor afirma que o ideal é, mês a mês, parar para avaliar o orçamento e se questionar se os gastos são maiores ou menores que os ganhos, e se está se pagando muitos juros. “Avaliando todos os meses a pessoa vai perceber se a situação está saindo do controle e aí é hora de parar e cortar os gastos supérfluos. Não é uma coisa gostosa de fazer, ninguém gosta de constatar que tem um problema, que não está dando conta. Mas quanto mais se deixa passar, pior vai ficar. Então, embora seja dolorido, quanto antes identificar o problema, melhor. Os juros no Brasil são altíssimos e podem elevar uma dívida rapidamente”, revela Police.
Patrícia Santos é um exemplo. Não imaginava que os meses que ficou sem pagar o cartão de crédito, o cheque especial e o financiamento do carro popular, após ficar desempregada, resultariam em uma dívida de quase R$ 50 mil. “É muito difícil você descobrir que deve R$ 50 mil e não ter um patrimônio nesse valor. Não tinha ideia de que devia tanto até os avisos de cobrança começarem a chegar. Minha dívida era de roupas, passeios e o carro, que não custava mais do que R$ 20 mil, mas ainda não estava quitado. Não sei como cheguei a esse ponto sem perceber, mas sei que os juros ajudaram bastante. Precisei pegar empréstimos de familiares, vender o carro, e paguei primeiro o que cobrava mais juros”, conta a publicitária.
Hábitos perigososAlém de observar e avaliar atentamente os gastos, os especialistas afirmam que há vários sinais de que uma pessoa vai enfrentar um problema financeiro. “Tem gente que se engana. Já ouvi clientes dizendo que gastaram muito em determinado mês porque tiveram um acidente de carro. Isso acontece, claro. Mas é por isso que é fundamental ter seguro e plano de saúde. Também já ouvi a justificativa: tive um imprevisto, o IPVA (Imposto de Propriedade de Veículos Automotores). Ora, todos sabemos que IPVA não é imprevisto. Então, o primeiro passo é parar de se enganar e assumir que você está descontrolado”, garante Police.
Rytenband completa: “é preciso saber identificar problemas e comportamentos de risco. Uma pessoa estourada no cheque especial, pagando 10% de juros ao mês, e que tem dinheiro na poupança - mas não o usa para quitar essa dívida - tem dificuldades para identificar comportamentos de risco. É comum a pessoa alegar que não quer mexer na poupança, “pois aquele é o único dinheiro que ela tem”, mas manter um investimento que rende 0,5% ao mês e continuar pagando 10% de juros certamente vai levá-la à falência”.
Mas, para o planejador financeiro da Police Consultoria, o sinal mais claro de um provável problema é o aumento no nível de endividamento. “É fácil perceber. Uma pessoa que não pegava dinheiro no banco e que, de repente, começa a entrar no cheque especial, passa a considerar o limite do cheque parte do salário. Quem vez ou outra pega um empréstimo no caixa eletrônico e depois começa a pegar um empréstimo para pagar outro vai enfrentar sérios problemas. A mesma coisa com o cartão de crédito: primeiro a pessoa compra no cartão e paga a fatura. Depois começa a parcelar as compras no cartão, aí para de pagar o total da fatura, em seguida começa a parcelar itens como supermercado no cartão e, por fim, pega empréstimo para pagar o cartão. É um caminho longo com sinais que podem ser percebidos se a pessoa estiver atenta às mudanças no seu comportamento”.
De fato, Cristina admite que faltou atenção aos seus gastos e comportamentos. “Foi preciso levar um grande choque para perceber que eu estava descontrolada. Percebi que gastava muito dinheiro com mimos para os meus filhos, sempre usando a desculpa de que eles mereciam tudo de melhor. Realmente merecem, mas já entendi que tenho que dar a eles o que meu orçamento permite. Mesmo tendo essa consciência é difícil controlar. Meu marido está me ajudando para que eu não cometa os mesmos erros. Felizmente, eu pude contar com o dinheiro que ele poupava para pagar as dívidas, senão eu ainda estaria pegando empréstimos, fazendo novas dívidas, tanto para tentar quitar o que estava devendo, quanto para consumir ainda mais”.
Valter elogia a atitude de Cristina. “A família precisa estar perto nesse momento. Aliás, eu defendo que o orçamento deve ser feito e avaliado por todos da família. Não adianta um se controlar e os outros gastarem demais. Manter os gastos dentro de um limite deve ser um compromisso de toda a família”.
O motivo que levou Cristina a se endividar é o mesmo que leva muitas pessoas aos problemas financeiros: comprar por achar que merece.
“Todo mundo, quando vai comprar algo mais caro, usa essa afirmação: eu mereço, trabalho tanto. Provavelmente mereça mesmo, mas esses agrados podem trazer uma grande dor de cabeça. A verdade é que quem não atingiu a independência financeira não deveria se dar ao luxo de ter algumas coisas. Carrão e casa de praia não são sinônimo de uma boa situação financeira. Ao contrário, são bens que trazem despesas e podem comprometer muito o orçamento de uma pessoa. É preciso ter cuidado ao proferir a frase ‘eu mereço’”, alerta Richard Rytenband.
Independência financeiraO economista explica que, para evitar definitivamente os problemas, o caminho é óbvio: atingir a independência financeira (conseguir que os lucros - gerados por bens e investimentos - paguem todas as despesas mensais), para que a pessoa não precise de fontes externas de renda, nem mesmo do salário.
“Sei que isso não é fácil, mas é possível. O problema é que a mentalidade das pessoas está errada. Por exemplo, as pessoas não têm que poupar com o objetivo de ter uma reserva para a aposentadoria, o ideal é adotar hábitos que levem a conquistar a independência financeira antes, para ter rendimentos durante a aposentadoria. Mas, para conseguir isso, é preciso ter investimentos e uma sobra constante. É fato: só vai se dar bem quem gasta menos do que ganha”, afirma o professor, que completa: “e também é importante saber que não é possível conquistar esse patamar apenas poupando. Para conseguir isso é preciso investir, já que a poupança apenas evita que o dinheiro perca seu poder de compra”, aconselha Rytenband.
Teste rápidoRichard Rytenband elaborou um teste para você identificar se é candidato a problemas financeiros. Se você identificar, em seu comportamento, pelo menos três atitudes das cinco descritas a seguir, pode enfrentar dificuldades se não alterar rapidamente sua forma de agir. 
1 - Gasta tudo que tem ou mais do que tem.
2 – Tem qualquer forma de dívida, principalmente cartão de crédito e cheque especial.
3 - Não tem o hábito de investir.
4 - Não é “útil” para a sociedade: sem utilidade social, se a pessoa ficar desempregada, não consegue se reposicionar. Sem ganhos, não há como atingir a independência financeira. É fundamental investir em si próprio para se tornar útil.
5 – Não tem consciência de que o dinheiro perde valor ao longo dos anos – sem essa consciência, a pessoa deixa o dinheiro em investimentos muito conservadores, que não trazem lucro.