terça-feira, 18 de outubro de 2011

Recessão na indústria


Autor(es): Rosana Hessel
Correio Braziliense - 18/10/2011

Analistas do mercado financeiro apostam em tombo de até 1,8% na produção em setembro, desempenho que deverá sacramentar um PIB negativo no terceiro trimestre do ano. Preocupação é geral com os rumos da atividade no país

Depois de andar de lado por todo o ano, sem conseguir uma recuperação expressiva, a indústria brasileira corre o risco de comprometer, definitivamente, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011. Os sinais negativos se acumulam e a queda de 0,2%, registrada em agosto, pode ter se aprofundado em setembro, segundo a análise consensual do mercado. Em meio à forte oscilação do dólar e sob o perigo de um agravamento da crise na Europa, os economistas já estimam que o tombo da produção no mês passado deve ter chegado até 1,8%, arrastando a atividade como um todo para baixo. No setor, já se fala abertamente em recessão.
"A produção industrial já vinha ruim. Portanto, a queda em setembro foi inevitável. Vamos esperar a confirmação do dado, no início de novembro, para reduzirmos ainda mais a nossa projeção do PIB deste ano", afirmou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, que projeta uma redução de 1,1% da indústria em setembro ante o mês anterior. Em relação ao PIB, a estimativa da instituição é de que a economia avance 3% em 2011, mas Gonçalves já está refazendo as contas. "Não tem otimismo que mostre o contrário. O crescimento deve ficar abaixo desse patamar", completou.
Pessimismo
Na avaliação do economista chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, tudo está jogando contra a indústria. No setor automobilístico, por exemplo, houve paralisação da produção por vários dias. Além disso, há a forte concorrência dos importados. "Infelizmente, a produção vem perdendo dinamismo desde abril deste ano", afirmou. Ele lembrou que já andava bastante pessimista. Diante, porém, do quadro atual, prevê um tombo de 1,8% na produção de agosto para setembro e de 1,6% em relação a 2010. "Houve uma reviravolta na confiança dos empresários, que começaram a frear os investimentos e reduzir suas expectativas de vendas para o fim do ano. E tudo se juntou à questão do câmbio (o real se valorizou muito frente ao dólar nos últimos anos)", ponderou.
Leal também alertou para a queda de 0,4% registrada nas vendas no varejo. Para ele, é o que mais preocupa. "O importante, agora, é ver se o varejo continuará sendo sustentado pelo aumento da renda ou acompanhará a desaceleração da indústria", afirmou. Apesar do cenário desanimador, há quem ainda demonstre otimismo, como o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank (BES), Jankiel Santos. A seu ver, a indústria não está em uma crise séria. "Há setores mais afetados, como os exportadores, mas há outros, como o de bens de capital, que estão crescendo", completou. Os números do BES ainda não estão fechados, mas eles também mostrarão queda na indústria. Pelas contas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor crescerá pouco acima de 2% neste ano, bem abaixo da evolução do PIB.
França pode ser rebaixada
A agência de classificação de risco Moody"s anunciou que vai analisar, nos próximos três meses, se revisa a perspectiva da nota da dívida soberana francesa, atualmente "estável". A França tem a nota mais alta da Moody"s ("AAA") e de suas grandes concorrentes, Standard & Poor"s e Fitch. Essa classificação permite ao país pedir crédito em condições muito favoráveis para financiar seu deficit orçamentário. Se a perspectiva passar para "negativa", a agência poderá reduzir a nota francesa num prazo de três a 12 meses.

Nenhum comentário :

Postar um comentário