Autor(es): Ana Carolina Dinardo
Correio Braziliense - 06/10/2011
Alta da moeda norte-americana impedirá que o país tenha mais um
"Natal dos importados" e reduzirá a abertura de postos de trabalho nas
lojas
A crise externa já está afetando o movimento do comércio e o Natal deste
ano deve ser menos aquecido que em 2010. No ano passado, com o dólar a
R$ 1,60, os comerciantes puderam garantir um bom estoque de produtos
estrangeiros e tiveram o "Natal dos importados". Agora, porém, a alta da
divisa pode estragar a festa. A moeda norte-americana subiu 18% somente
em setembro e chegou a outubro variando entre R$ 1,80 e R$ 1,90. O
resultado do que foi praticamente uma maxidesvalorização do real é que o
estoque de produtos importados deve ser drasticamente reduzido.
Os empresários já estão refazendo suas contas. Até agora, eles
acreditavam que as vendas de fim de ano deveriam crescer 7,5% em relação
ao ano passado, mas, de acordo com pesquisa divulgada ontem pela
Confederação Nacional do Comércio (CNC), a estimativa já caiu para 6%.
Para o economista-chefe da entidade, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, o
corte reflete a crise global e a alta do dólar. A piora do cenário foi
captada também pelo Índice de Confiança do Empresário do
Comércio
(ICEC), que permaneceu praticamente estagnado em setembro, com alta de
apenas 0,1% ante o mês anterior.
Com os negócios girando mais lentamente, o setor deve também reduzir a
oferta de vagas em todo o país e a previsão de contratar 140 mil
trabalhadores temporários pelo setor neste fim de ano dificilmente será
concretizada.
Para os varejistas, o Dia das Crianças, na semana que vem, será um
termômetro para avaliar o comportamento do mercado em 2011. Mas em
setembro, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do
Comércio, divulgado ontem, o movimento de consumidores nas lojas de todo
o país já caiu 0,3% em comparação com o mês anterior. O indicador
reflete as consultas feitas pelos comerciantes ao cadastro da Serasa e,
de acordo com os economistas da instituição, o resultado indica que a
atividade está em desaceleração.
Incerteza
"Em 2010, as vendas da loja foram bem altas e tivemos grandes lucros,
mas agora o estoque de produtos importados está menor e por isso o fim
de ano não será tão bom", observou Eliane Evangelista da Silva, 27 anos,
vendedora de uma loja de produtos eletrônicos. Kênio da Silva, 29,
gerente de uma loja de calçados, também estima que o mercado será menos
aquecido nesse Natal. "Em setembro, faturamos 8% a mais do que no ano
passado. Mas, em dezembro acredito que as vendas serão menores do que em
2010", afirmou.
Já Derivan Gonçalves, 29 anos, gerente de uma loja de vestuário
masculino, está otimista. Ele acredita que os clientes fiéis vão
garantir boas vendas no
Natal e que a crise não vai afetar tanto os consumidores. "Investi
bastante na loja e estou com uma estimativa de faturamento de R$ 500 mil
ante os R$ 300 mil do ano passado", disse.
O ICEC revelou ainda um recuo de 0,3% no item que mede a confiança do
empresariado na economia do país. Segundo o economista da CNC João
Felipe Santoro Araújo, isso mostra que o comércio já sente o impacto da
crise. Ele ressalta que as expectativas ainda são favoráveis, porém não
tão fortes como ano passado. "Com isso, 2011 será um ano mais fraco em
termos de vendas e contratações temporárias."
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