quarta-feira, 25 de abril de 2012

Recessão mais profunda dificultará ajuste grego

A maioria das pessoas deve sentir um misto de pena e descrença no que está ocorrendo com os gregos. Chega a ser inacreditável. 5 anos de duras contrações econômicas e sem o menor sinal de melhoras nos anos vindouros.
Nunca vi um paciente terminal agonizar por tanto tempo...

Autor(es): Por George Georgiopoulos | Reuters, de Atenas
Valor Econômico - 25/04/2012

A economia grega vai se contrair 5% este ano, mais do que se esperava, disse ontem o presidente do banco central do país. Isso deve pressionar ainda mais a população, já afetada por cortes de gasto público e desemprego recorde.
A projeção superou a previsão anterior do BC, de março, de um contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5%, após uma queda de 6,9% em 2011. A Grécia, socorrida duas vezes, está em seu quinto ano consecutivo de recessão.
Falando na assembleia anual do BC, George Provopoulos, também membro do Conselho Diretor do Banco Central Europeu, exortou o cumprimento rigoroso das reformas e do ajuste fiscal que a Grécia acertou com seus parceiros da zona do euro, afirmando serem necessários para a economia voltar a um crescimento sustentável.
Atenas está sob pressão por mais austeridade fiscal, para fortalecer suas finanças, como parte do novo pacote de socorro acertado este ano com os parceiros da zona do euro e com o FMI para evitar um calote caótico. A manutenção do financiamento ao país no âmbito do pacote € 130 milhões depende do cumprimento das metas.
Provopoulos advertiu que a participação da Grécia na zona do euro estará em jogo caso o país não cumpra suas promessas, especialmente após as eleições nacionais no próximo mês. "Se, após a eleição, surgirem dúvidas sobre o novo governo e o empenho da sociedade para implementar o programa, as atuais perspectivas favoráveis serão revertidas", disse ele.
A Grécia deverá eleger um novo governo em 6 de maio. Os dois principais partidos da atual coalizão não parecem em condições de assegurar uma maioria no Parlamento, segundo as últimas pesquisas. Quem vencer terá de concordar com cortes adicionais de gastos equivalentes a 5,5% do PIB, ou cerca de € 11 bilhões, para 2013-14, e arrecadar mais € 3 bilhões em impostos para continuar recebendo ajuda, disse o FMI.
Em 2011, a Grécia reduziu o seu déficit público em 1,2 ponto, para 9,1% do PIB, e tem como meta um déficit de 6,7% este ano. Medidas de austeridade, como aumento dos impostos de renda e sobre propriedades, elevação de alíquotas do imposto sobre valor agregado e corte de salários e aposentadorias, ajudaram a baixar o déficit, que chegou a 15,6% em 2009.

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