quinta-feira, 26 de abril de 2012

Recessão britânica põe austeridade na berlinda

Valor Econômico - 26/04/2012
 

O Reino Unido entrou tecnicamente em uma nova recessão ontem, no momento em que cresce o temor com o agravamento da crise na Europa e com suas consequências sobre as políticas de austeridade dos países da região.
Segundo números divulgado ontem pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país, o economia britânica apresentou contração de 0,2% no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao período anterior. Nos últimos três meses de 2011, a economia britânica já havia encolhido 0,3%. Uma queda do PIB por dois trimestres consecutivos configura recessão.
O mau desempenho da economia dá munição a opositores das contra as medidas de austeridade promovidas pelo ministro das Finaas, George Osborne. Essas medidas incluem um programa agressivo de elevação de impostos e corte de gastos, com o objetivo de reduzir o déficit público.
Também aumentam as pressões por mais medidas de estímulo tanto do Banco da Inglaterra (o BC britânico) como do Banco Central Europeu (BCE), para ajudar as debilitadas economias da zona do euro - importantes parceiros do Reino Unido e cuja crise foi apontada pelo governo britânico como um dos motivos para a retração de seu PIB.
Ao comentar a possibilidade de mais estímulo, o presidente do BCE, Mario Draghi, mencionou a possibilidade de apoiar um pacote que promova reformas estruturais e aumente a competitividade. Ele disse, porém, que os governos devem se manter fiéis aos seus planos de austeridade fiscal.
O premiê britânico, David Cameron, por sua vez, afirmou que abandonar a política de austeridade causaria uma perda de confiaa nos investidores internacionais, levando o país a pagar juros mais altos por empréstimos. "Nós estamos lidando com uma situação muito complicada que, francamente, ficou ainda mais complicada", disse. "Mas a solução para uma crise da dívida não pode ser mais dívida."
Em discurso ao Parlamento britânico ontem, Cameron disse que a contração de 0,2% do PIB no primeiro trimestre, "muito decepcionante", é resultado do peso dos níveis históricos de endividamento sobre a economia.
Somada ao desempenho de outros países, a notícia de recessão no Reino Unido sugere que as economias europeias ainda estão longe de encontrar um caminho para o crescimento sustentável, após um período de leve recuperação, classificada como "frágil" pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
Nesta semana, a Espanha anunciou que também entrou em recessão, após seu PIB ter se contraído 0,4% no primeiro trimestre e 0,3% no período anterior. Indicadores regionais da indústria, como o Índice de Gerentes de Compras (PMI, em inglês), sugerem que toda a zona do euro pode estar novamente entrando em recessão.
A última vez em que o Reino Unido havia entrado em recessão foi no auge da crise financeira global, em 2008, da qual saiu no terceiro trimestre de 2009, depois de cinco trimestres consecutivos de contração

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