A chamada da reportagem exagera e Belluzzo também. As metas de inflação, mesmo com algumas atribulações, são muito mais do que menos factíveis, afinal, não esqueçam que são duas crises em seguida, então é plausível um nível maior de incerteza e consequentemente a necessidade de apostas mais arriscadas o que pode levar a maiores erros, o que, ao menos por enquanto, não é o caso do BC. Com relação a definição do modelo de câmbio nosso Gonzagão está corretíssimo, qual motivo da celeuma se todo mundo faz isso?
Autor(es): RICARDO LEOPOLDO |
Favorável à taxação de todos os investimentos que
ingressam no Brasil, o ex-secretário de Política Econômica no governo
José Sarney, Luiz Gonzaga Belluzzo, afirma que seria bom para a
economia que o câmbio atingisse a marca de R$ 2,00 ou R$ 2,10, o que
permitiria reduzir os impactos da guerra cambial e da imensa liquidez
internacional sobre o Brasil, processo que, na sua opinião, está
colaborando para a desindustrialização. O economista defende a cobrança
pelo governo federal de um tributo sobre todos os investimentos que
ingressam no Brasil, como forma de conter a supervalorização do real.
Para Belluzzo, é "temerária"qualquer projeção sobre a
alta de juros de agora até o fim de 2013, como as que vêm sendo feitas
por alguns economistas de mercado sob a alegação de que a retomada do
nível de atividade a partir do segundo semestre pode provocar o estouro
do teto de 6,5% da meta de inflação no ano que vem.
"Quem pensa assim está com um modelo de metas de inflação
de quinta categoria. Vamos falar a verdade: ninguém mais acredita no
sistema de metas de inflação", diz.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
O que está ocorrendo com a indústria no Brasil?
A indústria de transformação, nos últimos 25 anos, vem
perdendo peso. Basta ver que sua participação no PIB caiu de 35,8% em
1984 para 15,3% em 2011. Alguns dizem que a indústria está importando
bens de capital e isso é bom porque melhora a competitividade e os
ganhos de produtividade. É verdade, mas, ao mesmo tempo, o setor de
bens de capital atrofiou-se e o País perdeu seu núcleo dinâmico, por
onde o progresso tecnológico vem. Esse segmento dinâmico está começando
a perder força, o que significa desindustrialização.
A desindustrialização é agravada pela guerra cambial?
Há uma falsa dicotomia entre câmbio flutuante e fixo
quando a maioria dos regimes cambiais é intermediária, isto é,
administrada. Não sei por que algumas pessoas ficam escandalizadas
quando o governo brasileiro diz que vai intervir no câmbio. Todo mundo
intervém.
O câmbio a R$ 1,80 ajuda a recuperar a indústria?
Seria desejável que o câmbio chegasse a R$ 2,00, R$ 2,10.
Contudo, o movimento do real ante o dólar na direção daquela cotação
teria de ser cuidadoso para não provocar desvalorização súbita e choque
cambial, com consequências para inflação e endividamento externo dos
agentes econômicos. Mas seria adequado que essa mudança de câmbio para
R$ 2,00, R$ 2,10 ocorresse agora, pois o mundo passa por um período
desinflacionário, o que influencia os preços para baixo.
Bastam as intervenções do BC e as advertências verbais do Ministério da Fazenda?
Há um problema de operação. Às vezes o BC teria de
comprar dólares bem acima do fluxo para influenciar a cotação para cima
e às vezes não deveria fazer nada. O consenso que está se formando é
que a atual cotação do câmbio é insustentável para a indústria.
Portanto, a trajetória do câmbio é para cima. Mas é preciso operar de
forma competente. É importante a ação da mesa de operações do BC.
E a taxação na entrada de recursos do exterior?
O governo teria que taxar igualmente todos os ingressos
de capitais e depois criar um crédito tributário para quem comprovasse
que fez mesmo investimentos de longo prazo no País. |
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