| Autor(es): Por Javier Blas | Financial Times, de Londres |
| Valor Econômico - 25/11/2011 |
O preço dos créditos de carbono caiu para seu patamar mais baixo de todos os tempos, fazendo com que dirigentes de bancos e operadores questionassem o futuro do programa, criado pela União Europeia (UE) e pela ONU e que visa conter as emissões por meio da negociação das licenças de poluir.
A acentuada queda dos preços ocorre num momento em que várias das maiores corretoras de commodities e bancos de Wall Street reduzem significativamente sua atuação nesse mercado. "O programa de créditos de carbono não está dando resultado", disse Per Lekander, analista do banco suíço UBS, em nota a clientes.
A corretora Noble Group disse no início do mês que tinha "restringido" sua atuação no mercado de carbono e se queixou da "insuficiente liquidez do mercado" para garantir suas posições.
Em mais um indício de que as empresas estão perdendo a confiança nas perspectivas do programa, o JPMorgan vendeu sua divisão de créditos de carbono ClimateCare em agosto, embora o banco continue atuando nesse mercado.
A analistas atribuíram a queda vertical dos preços à retração da economia europeia, que deverá frear a expansão das emissões, e à iminente venda de milhões de créditos de carbono a ser realizada pelo European Investment Bank, que quer usar a renda da operação para investir em projetos "verdes".
O preço dos certificados de reduções de emissões (CER, na sigla em inglês), avalizados pela ONU e comprados pelas empresas poluidoras para neutralizar os efeitos de suas emissões de gases estufa, caíram ontem para seu nível mais baixo, a € 5,90, com queda de mais de 50% desde junho. O preço dos créditos de carbono europeus (conhecidos pela sigla em inglês EUA) negociados há seis anos, também caiu a nível recorde ontem, a € 7,80. Os preços nos EUA caíram 15% somente esta semana.
"Não prevemos melhora significativa dos preços num futuro previsível", disse Isabelle Curien, do Deutsche Bank. Trevor Sikorski, do Barclays Capital, observou: "A tendência é de queda".
O declínio dos preços das licenças poderá representar um complicador nas negociações da cúpula do clima da ONU, que terá início na semana que vem em Durban, na África do Sul. O encontro é cercado pelo temor generalizado de que os negociadores não conseguirão, mais uma vez, chegar a um acordo mundial abrangente, legalmente vinculante, para enfrentar as mudanças climáticas.
Os programas de negociação das licenças de emissão excedentes, encabeçados pela UE, enfrentam problemas desde seu lançamento. Em janeiro, as autoridades da UE disseram que "ladrões virtuais" roubaram até 30 milhões de euros em créditos de carbono do sistema de transações de emissões, obrigando as bolsas da Europa a suspender as negociações de licenças de emissão de carbono. Por outro lado, os programas receberam, mais recentemente, um impulso, depois do anúncio, pela Austrália, de um sistema de impostos sobre as empresas poluidoras, o que colocou o país em condições de deter o maior sistema de negociação de emissões fora da Europa.
O baixo preço dos créditos de carbono está levantando interrogações sobre a eficácia do programa em obrigar as empresas a adotar tecnologias mais voltadas para a preservação do meio ambiente.
"O preço [do crédito de carbono] já está baixo demais para ter qualquer impacto ambiental significativo", disse Lekander. Sua afirmação arrancou protestos da parte de lobbies que defendem o programa de créditos de carbono.
Miles Austin, diretor da Associação de Mercados e Investimentos Climáticos, disse que o programa da UE "pôs 11 mil instalações industriais europeias no caminho das baixas emissões de carbono, de acordo com o limite pactuado".
Nenhum comentário :
Postar um comentário