| Autor(es): Por Alex Ribeiro | De Washington |
| Valor Econômico - 09/11/2011 |
A Itália deverá ter um gasto adicional de € 78 bilhões para rolar a sua dívida que vence no ano que vem, alertou ontem a economista Anne Krueger, que ocupou o segundo cargo mais importante no Fundo Monetário Internacional (FMI) entre 2001 e 2006. O número mostra como a alta contínua dos juros pagos pelos títulos italianos, que na segunda-feira superou a barreira de 6,5% ao ano para papéis de dez anos, poderá inviabilizar o acesso do país ao mercado internacional. "A Europa não resolveu o problema da Grécia e, agora, enfrenta a drástica perspectiva, bastante provável, de a Itália não conseguir andar com as suas próprias pernas", afirmou ontem Krueger, durante palestra na Universidade Johns Hopkins, em Washington. A Itália está particularmente vulnerável, disse ela, porque tem uma alta dívida (€ 1,9 trilhão, equivalente a 120% do PIB) com vencimento em prazo relativamente curto. Em 2012, os vencimentos somam € 200 bilhões - e seriam imediatamente impactados pela alta recente de juros. Os juros de papéis de dez anos chegaram a 6,66% ao ano ontem. Até pouco tempo atrás, disse Krueger, a Itália pagava cerca de 3,5% ao ano para rolar a sua dívida, percentual mais próximo dos juros então vigentes para papéis da Alemanha. No mercado financeiro, alguns analistas afirmam que existe uma barreira psicológica em 7% ao ano porque, quando atingiram esse patamar, Portugal e Grécia precisaram de pacotes de socorro. Krueger, sempre lembrada como candidata ao prêmio Nobel de Economia, é autora da teoria sobre "rent seeking", que mostra como grupos de interesses manipulam decisões governamentais para obter rendas da sociedade. Quando ela estava no FMI, a instituição fez um bem-sucedido programa de socorro para a Turquia que rende frutos até hoje, mas falhou em se aproximar da Argentina. Para ela, o problema na Europa é sobretudo a falta de ambiente político para implementar os ajustes fiscais necessários. Os ajustes são duros, afirma ela, mas está ao alcance da Grécia e da Itália implementá-los. "A Grécia está fazendo o mínimo necessário", afirmou Krueger. "Nas circunstâncias atuais, eles deveriam estar fazendo o máximo." Para aqueles que acham que, de tão severo, o ajuste é impossível, Krueger aponta o exemplo da Letônia, que fez um corte de gastos públicos de cerca de 20%. "O crescimento econômico está de volta e eles mantém o projeto de se juntar à Zona do Euro", disse ela. Antes da crise, lembrou Krueger, a idade média de aposentadoria na Grécia era de apenas 48 anos, bem abaixo dos 67 anos vigentes na Alemanha. Esse é um dos motivos que levam contribuintes dos países do Norte da Europa a se recusarem a colocar mais dinheiro na Grécia. Mesmo antes da crise, afirma ela, a produtividade na Grécia vinha crescendo muito lentamente, em virtude do excesso de regulações. Para ser caminhoneiro, lembrou, é necessária uma licença do governo. A mais recente foi concedida em 1970. "Os novos motoristas de caminhão têm que pagar uma taxa imensa para conseguir a sua licença", disse. Krueger disse que, no caso da Itália, ainda há espaço para austeridade. Hoje, afirma, a política fiscal não é expansionista, mas também não é muito contracionista. Krueger lembrou que, há cerca de dois anos, a preocupação na Europa era com a Islândia. Hoje, o país foi completamente esquecido. "Se a Itália for afetada, todos vão se esquecer da Grécia." |
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
'País enfrenta risco de não andar com próprias pernas'
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