sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A queda de Caio Júnior

A pressão se tornou bastante grande sobre o agora demitido técnico do Botafogo Caio Júnior. O técnico sofre com o rótulo que o persegue desde a não classificação para Libertadores com Flamengo e Palmeiras e o time sofre com a queda de rendimento de suas principais peças: Cortês, Maicossuel, Elkeson, e a meu ver aquele que é a mola mestra do meio botafoguense, Renato. No mais as demais peças do time caíram conjuntamente e jogadores que vinham acrescentando como Lucas Zen e a dupla de zaga que vinha bem "voltaram ao normal".
Faltou um pouco de experiência para observar que todo mundo estuda o time da moda para neutraliza-lo, como fez o América, travando as laterais para impedir as escapadas de Maicossuel e Elkeson. Faltou também confiar mais no esquema montado. Modificar várias peças e até o esquema não se mostrou ser uma boa saída. Melhor seria tentar ser algo mais criativo na maneira dos jogadores atuarem como botar o o Maicossuel de atacante com Abreu as vezes, entre outras coisas.
Caio sofre pela sua personalidade, aberta ao dialogo e tranquila, que se conquista o carinho do grupo pela paciência, não consegue tirar mais da equipe pela força.
Faltou ao Caio socar a mesa. Faltou falar rispidamente e cobrar quem pode render.
Faltou ser mais Joel Santana...

Zona do euro caminha em linha reta para a implosão

Valor Econômico - 18/11/2011

A crise na zona do euro segue um caminho reto rumo a um final desalentador. Desde o início, as turbulências com as dívidas soberanas dos países da união monetária indicavam riscos acentuados para seus financiadores, os grandes bancos europeus, que já haviam saído bastante feridos da hecatombe financeira de 2008, que ainda não terminou. A pequena Grécia não teria potencial para causar muita devastação, não fosse pelo fato de ela ter escancarado várias falhas da criação da moeda única, que ficaram dormentes no período de prosperidade. Os líderes europeus deixaram os gregos serem fritos pelo mercado, até que um dia acordaram com Portugal e Irlanda à beira da bancarrota e, depois, com a instabilidade batendo às portas da Itália e Espanha. A crise continuou sem solução e se a Itália finalmente cair, dificilmente o euro sobrevive, e vários grandes bancos podem também desaparecer junto com a moeda única.
A cada dia a onda de desconfiança se amplia. Silvio Berlusconi era a pessoa errada para implantar programas de austeridade que revertessem a desconfiança sobre a enorme dívida italiana, de 119% do PIB ou € 1,9 trilhão. Berlusconi esperneou, mas ações rápidas colocaram em seu lugar Mario Monti, um eurocrata que formou um gabinete de acadêmicos e técnicos, ao qual os partidos políticos desejaram boa sorte, mas mantiveram ostensivamente distância. Após a troca de comando, os títulos da dívida de dez anos continuaram pagando rendimentos acima dos temerários 7% que levaram aos pedidos de socorro de Grécia, Portugal e Irlanda.
Os custos da rolagem da dívida da Espanha, a quarta maior economia do bloco, chegam rapidamente ao limiar de 7% (6,97% ontem), em uma nova onda altista. Haverá eleições gerais no domingo e o incumbente Partido Socialista deve ser fragorosamente derrotado pelo Partido Popular. O pouco carismático Mariano Rajoy, o vencedor segundo as pesquisas, não disse muita coisa do que irá fazer em relação à grave situação econômica do país. Dificilmente executará muita coisa diferente das que fez seu antecessor Jose Luiz Zapatero. Ele seguramente não tem boas notícias a dar aos eleitores - as razões básicas de sua ambiguidade e reticência.
Quando Itália e Espanha entraram na zona de perigo, a crise da zona do euro mudou de qualidade, sem que os líderes europeus, com isso, tenham se mostrado mais eficientes para detê-la. Em uma reunião em 26 de outubro cujas decisões só acalmaram os investidores por dois dias, os líderes da zona do euro conseguiram deixar inoperante um dos poucos instrumentos contra a crise às mãos, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Por não desejarem capitalizá-lo, criaram dois mecanismos para buscar dinheiro de investidores privados e fundos soberanos para alavancar os hoje parcos € 250 bilhões disponíveis. Ambos se revelaram ineficientes, por um defeito congênito - a principal economia europeia, a Alemanha, não aceitou colocar nele mais um centavo de garantia adicional.
Agora, há uma fuga em massa dos títulos da dívida, abarcando não só os papéis de países já suspeitos mas também os da França, Áustria, Holanda, Bélgica e Finlândia. Essa deterioração das expectativas é acompanhada de um progressivo estrangulamento do funding externo dos grandes bancos europeus e, em primeiro lugar, dos franceses. Eles tinham em julho obrigações de US$ 200 bilhões nos mercados de curto prazo americanos, mas essa fonte está secando rapidamente. Ao mesmo tempo, já há movimentos de troca de títulos entre bancos para arrumar garantias para que possam continuar a ser financiados pelo Banco Central Europeu. Os riscos para o sistema financeiro estão crescendo exponencialmente e a perspectiva de uma recessão já no fim do ano na união monetária só acrescenta mais um ingrediente ruim em uma mistura já explosiva.
Para a Alemanha, as coisas são claras. O partido da premiê Angela Merkel, o União Democrática Cristã, trata de encontrar formas de deixar alguns países saírem da zona do euro e criar elementos de uma política fiscal única, à qual não faltará a dose indicada de punição aos países que não se enquadrarem. Para alguns governos, se o BCE não assumir sua função de emprestador de única instância tudo está perdido. Para analistas, se o BCE tem limitações legais, a transformação do FEEF em banco para receber empréstimos do banco central não tem. Falta vontade política e sem ela a zona do euro marcha para a implosão.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A possível queda do PIB potencial


Cristiano Romero
Valor Econômico - 16/11/2011

Além dos choques de oferta, um outro fator pode estar dificultando o combate à inflação no Brasil: a possível queda do chamado Produto Interno Bruto (PIB) potencial, isto é, da capacidade de a economia crescer sem gerar inflação acima da meta de 4,5%.
Em geral, os economistas concordam com a ideia de PIB potencial. O difícil é chegar a um consenso sobre qual seria o potencial brasileiro. O governo aposta, neste momento, em 5% - é esta a previsão de crescimento do Ministério da Fazenda para 2012. Setores amplos do mercado acreditam que seja algo abaixo disso.
Nos oito anos de governo Lula, o PIB cresceu, em média, 4,01% ao ano. No mesmo período, a inflação anual média foi de 5,78%. Retirando-se da estatística os três primeiros anos (2003, 2004 e 2005), caracterizados por forte ajuste em função da crise de 2002/2003, que levou a inflação em 12 meses a mais de 17%, o crescimento médio anual do PIB foi de 4,41% e a inflação, de 4,74%.
O segundo período da era Lula mostra, grosso modo, que o PIB potencial estaria em torno de 4% - 4,5%, uma vez que, a essa taxa média de expansão, a inflação ficou um pouco acima da meta. O problema, que começa a chamar a atenção de especialistas, é que alguns fatores que ajudaram a economia brasileira a crescer de forma mais rápida estão enfraquecendo ou mesmo desaparecendo.
O fator trabalho, por exemplo. Em 2003, a taxa de desemprego estava em torno de 13%. A aposta do governo Lula na estabilização, enquanto no meio empresarial e financeiro poucos acreditavam nisso, destravou o setor produtivo, que paulatinamente passou a acreditar nas perspectivas da economia e, por essa razão, a ampliar a capacidade de produção com a compra de máquinas e a contratação de pessoal.
Esse movimento fez a taxa de desemprego cair de 13% em 2003 para 8% em 2008, ano da crise financeira internacional. Tendo se recuperado rapidamente daquela crise, a economia voltou a crescer de forma acelerada, derrubando o desemprego para o menor índice da série histórica - 6%.
Ninguém sabe exatamente qual é a taxa natural de desemprego ou Nairu (sigla em inglês para taxa de desemprego que não acelera a inflação) do Brasil. De toda forma, a escassez de mão de obra em vários setores da economia e o forte crescimento dos salários nos últimos anos indicam que o país pode estar nesse limite ou muito próximo dele.
Uma fonte relevante, portanto, de crescimento potencial da economia provavelmente não estará presente nos próximos anos. Para compensá-la, seria necessário ampliar o fator capital ou a produtividade da economia. Há problemas, no entanto, em ambos.
No primeiro caso, a taxa de investimento nominal, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), isto é, o investimento das empresas em máquinas e equipamentos, teria que crescer para pelo menos 22% ou 23% do PIB. No segundo trimestre deste ano, estava em 17,85% do PIB, mesmo nível dos anos de baixo crescimento da Era Fernando Henrique Cardoso.
O investimento não cresce, no Brasil, por causa de uma série de deficiências estruturais, entre as quais, destacam-se: o baixo estímulo à geração de poupança privada; a poupança negativa do Estado (hoje, em torno de 2% do PIB ou cerca de R$ 75 bilhões); a elevada carga tributária (35% do PIB); as taxas de juros elevadas; um mercado de capitais incipiente.
No caso da produtividade, há indícios de que ela esteja em queda. A infraestrutura do país em quesitos como estradas e aeroportos, por exemplo, não acompanhou o crescimento do PIB nos últimos oito anos, o que gera ineficiências.
É bastante provável que, no caso dos aeroportos, a situação melhore rapidamente daqui em diante, graças à sensata decisão da presidente Dilma Rousseff de conceder sua exploração ao setor privado. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) traz iniciativas importantes em outras áreas e o BNDES tem sido crucial no financiamento de investimentos em várias áreas, especialmente em geração de energia elétrica, mas ainda há carências em alguns setores. Ademais, o país parou de fazer reformas e, no que diz respeito à educação, avançou quase nada e, no caso da inovação tecnológica, o fez de maneira acanhada.
O economista Edward Amadeo, ex-ministro do Trabalho, hoje sócio da Gávea Investimentos, diz que o atual modelo de desenvolvimento privilegia o consumo, em vez do investimento, e que essa opção tem ampliado a participação do setor de serviços, de menor produtividade por se constituir, em sua maioria, de pequenas e médias empresas com baixo acesso a crédito.
"Quando se somam esgotamento do excesso de oferta de trabalho; uso mais intensivo da infraestrutura, sem que seu crescimento acompanhe a expansão da economia; e deslocamento dos recursos para um setor da economia (serviços), cuja produtividade cresce menos que a do setor manufatureiro, explica-se por que provavelmente o Brasil não consegue mais crescer 4%, 4,5%, sem gerar inflação acima da meta", diz Amadeo.
Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras

O deflator do PIB

Autor(es): Fabio Giambiagi
Valor Econômico - 16/11/2011

Peço licença hoje ao leitor para tratar de um assunto bastante insosso: o deflator implícito do Produto Interno Bruto (PIB). Explico imediatamente a razão da escolha de tema tão singular para meu artigo mensal nas páginas do Valor.
O motivo do meu "mergulho" no assunto está, por incrível que pareça, relacionado com a minha dedicação à temática previdenciária, já conhecida por muitos leitores. Com alguma frequência, recebo e-mails me perguntando por que os problemas que eu vaticinava para as contas do INSS não estavam se revelando tão sérios como eu supunha.
Aqui, um parêntese importante: não obstante o fato inquestionável de que o déficit do INSS diminuiu nos últimos anos, graças ao "boom" da receita, é fato por outro lado que a despesa do INSS, especificamente, que era de 6% do PIB no fim do governo FHC, atingiu 6,9% do PIB no fim do governo Lula, oito anos depois, sinal de que o problema do aumento do tamanho da conta com inativos continuou a se agravar.
Discussão em torno do deflator do PIB ajuda a entender porque o passado não pode ser projetado para o futuro
Também é verdade, porém, que entre 2006 e 2010, especificamente, tal importância relativa se manteve relativamente constante - a rigor, até caiu ligeiramente em relação aos 7% do PIB de 2006.
Uma explicação é mais ou menos óbvia: no primeiro governo Lula o crescimento médio anual foi de 3,5% e, no segundo, de 4,5%. Com um dinamismo mais intenso da economia, o pagamento a um dado número de aposentados e pensionistas pesa menos, em termos relativos, do que se o crescimento do PIB fosse mais lento. O fato em si já seria razão suficiente para encarar o futuro com cautela, uma vez que não há garantias de que o país será capaz de sustentar um crescimento médio de 4,5% durante décadas, que é o período que cabe levar em conta quando se avaliam as perspectivas da Previdência Social, onde os prazos de referência são sempre muito dilatados.
Na realidade, porém, o maior dinamismo da economia no segundo governo Lula é apenas um dos fatores que explica por que a conta do INSS não aumentou mais no período. O outro fator foi justamente o comportamento do deflator do PIB - o que explica a escolha do tema para o artigo de hoje.
A tabela mostra a dimensão do enigma. Em geral, quase todos nós raciocinamos, a princípio, como se os diferentes índices de preços evoluíssem mais ou menos à mesma taxa. E, de fato, a longo prazo, isso faz sentido. Não consigo, por exemplo, imaginar razões muito profundas para supor que, em um período de 20 ou 30 anos, a trajetória do deflator do PIB deva ser muito diferente da variação média do INPC.
Em períodos específicos, porém, as diferenças podem ser importantes. Note-se por exemplo o que aconteceu partindo do ano de 1995. Nos primeiros oito anos, até 2003, a variação do deflator do PIB seguiu aproximadamente a do deflator do consumo nas Contas Nacionais (CN) e se manteve em média 0,7% acima da variação média do INPC. Esse descasamento se acentuou nos sete anos seguintes, quando o deflator do PIB teve um incremento médio anual de 6,9%, contra uma variação do INPC de 5,2%.
Note-se que essa diferença, por um período de sete anos, significa que partindo da mesma base em 2003, o número-índice do deflator do PIB em 2010 se situou num nível 12% superior ao do INPC. É exatamente essa a razão do fenômeno pelo qual, durante vários anos, todos passamos o ano inteiro trabalhando com um número de crescimento real bastante expressivo do gasto público quando deflacionado mês após mês pelo INPC ou pelo IPCA, mas após a divulgação do PIB e passando a deflacionar o mesmo dado nominal pela variação do deflator do PIB, disso resultavam taxas de crescimento real bem mais modestas do dispêndio.
Por que esta discussão, aparentemente tão enfadonha, é tão importante? Porque ajuda a entender porque o passado não pode ser projetado para o futuro. O país adotou uma regra generosa para os aumentos do salário mínimo, em um contexto no qual: 1) o crescimento do PIB foi bastante intenso; e 2) o deflator "correu por cima" do INPC (base para o reajuste das aposentadorias).
Com isso, o governo pôde colher os louros da sua política de valorização do salário mínimo e do piso previdenciário, sem que isso sacrificasse as contas da Previdência Social. No futuro, porém, assumindo que o PIB tenha dificuldades para sustentar um crescimento médio de 4,5% indefinidamente e que cedo ou tarde o deflator se aproxime da trajetória do INPC, essas duas fontes de pressão "baixista" da relação gasto do INSS/PIB deverão perder força ao longo do tempo. Quando isso acontecer, aumentos reais do salário mínimo passarão a afetar mais fortemente as contas públicas, quando as variáveis são expressas como proporção do PIB. É preciso começar a pensar nestas questões, com vistas à definição da regra de reajuste do salário mínimo quando esta vier a ser revista, daqui a três anos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Entenda a Crise Européia


 
 


 
Entenda a crise Européia

A Grécia gastou bem mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados e deixando sua economia refém da crescente dívida. Nesse período, os gastos públicos foram às alturas, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram. Enquanto os cofres públicos eram esvaziados pelos gastos, a receita era afetada pela evasão de impostos - deixando o país totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise de crédito de 2008. O montante da dívida deixou investidores relutantes em emprestar mais dinheiro ao país.Se o país não fosse membro da zona do euro, talvez fosse tentador declarar a moratória, o que significaria deixar de pagar os juros das dívidas ou pressionar os credores a aceitar pagamentos menores e perdoar parte da dívida. Contudo, uma moratória grega, além de estimular países como Irlanda e Portugal a fazerem o mesmo, significaria um aumento de custos para empréstimos tomados pelos países menores da União Europeia, sendo que alguns deles já sofrem para manter seus pagamentos em dia. Se Irlanda e Portugal seguissem o caminho do calote, os bancos que lhes emprestaram dinheiro seriam afetados, o que elevaria a demanda por fundos do Banco Central Europeu. Por isso, enquanto a Europa conseguir bancar a ajuda aos países com problemas e evitar seu calote, é provável que continue fazendo isso.Neste cenário, Alemanha e França lideram os esforços para evitar a quebra dos gregos e, além de arrecadar fundos junto a governos e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), conseguiram inclusive que os bancos privados europeus também entrassem na ajuda.Os sinais mais agudos dos problemas financeiros começaram no final de 2009, quando em 7 de dezembro a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a qualificação da dívida grega e a Fitch Ratings fez o mesmo um dia depois. A Comissão Europeia chamou a atenção da Grécia por sua possível repercussão na zona do euro e o Banco Central Europeu pediu que o país tomasse medidas.Em janeiro de 2010, o governo grego apresenta um plano para reduzir o déficit público de 12,7% do PIB, em 2009, para 2%, em 2013. Em 3 de fevereiro, a Comissão Europeia aprova este plano de austeridade grego, mas anuncia que exercerá uma vigilância sem precedentes sobre seu cumprimento.Em 23 de abril de 2010, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, pede a ativação de um pacote de ajuda da União Europeia e do FMI, que visava retirar o país da crise de dívida. O plano de ajuda à época, da zona euro e do FMI, previa a concessão de empréstimos de 45 bilhões de euros (US$ 60 bilhões) com juros de cerca de 5%.Em maio, os países do euro e o FMI aprovam um novo plano de ajuda, ainda maior, de 110 bilhões de euros (a zona do euro oferece 80 bilhões de euros, enquanto 30 bilhões de euros viriam do FMI). Os financiamentos a Atenas foram condicionados a progressos na reforma fiscal e a medidas de austeridade prometidas pelo governo grego, que seriam revisadas trimestralmente. A quantia, que foi acordada a ser paga em prestações, seria paga após cada revisão trimestral, até 2012.Pressionado, o governo grego aprovou em 29 de junho um novo pacote de austeridade para poder receber uma nova parcela de ajuda - de 12 bilhões de euros. O pacote incluía corte de gastos, de empregos, de salários, aumentos de impostos e vendas de ativos estatais. As medidas de austeridade foram altamente impopulares entre os gregos. A polícia entrou em confronto com manifestantes em algumas ocasiões nas ruas próximas ao parlamento.Apenas dois meses depois, em agosto de 2010, uma missão da União Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI pedia que a Grécia acelerasse suas reformas e privatizasse parte de seu setor energético para poder continuar recebendo ajuda externa. Entre as 13 recomendações da missão internacional, destacava-se a exigência de que a Grécia acelerasse a liberalização dos setores monopolizados em sua economia - como o de transportadoras, por exemplo, - até o final do ano, com o objetivo de reduzir as pressões inflacionárias. Outra delas exigia a abertura do mercado energético, privatizando pelo menos 40% de suas unidades estatais de produção.O país segue com dificuldades durante os meses seguintes e, em 15 de novembro de 2010, admite ter quebrado as condições do resgate econômico posto em prática para evitar a quebra. Um dos indicadores - o déficit público em 2010 foi previsto para 9,4% do Produto Interno Bruto (PIB), mais do que os 7,8% acordados com os credores.Depois de seis meses de revoltas populares e desencontros o que foi acordado com credores, em 23 de junho de 2011 o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, solicita à Europa e ao FMI o segundo plano de ajuda financeira em um ano para tentar evitar a bancarrota de seu país.A fim de desbloquear mais uma parcela do pacote de ajuda original (de 110 bilhões de euros), o Parlamento aprova em 29 de junho um novo pacote de austeridade que inclui 28,4 bilhões de euros em medidas de economia e altas de impostos, além da arrecadação de 50 bilhões mediante privatizações. Com a aprovação de plano de ajuste até 2015, o governo desbloqueia os 12 bilhões de euros do quinto aporte do empréstimo do FMI e da União Europeia. As principais medidas foram corte das despesas do Estado em 14,3 bilhões de euros e arrecadar outros 14,1 bilhões de euros até 2015, a fim de situar o déficit abaixo de 3% do PIB nesse ano; adotar o "imposto solidário" entre 1% e 4% às rendas mais altas. Para ministros, parlamentares e outros cargos públicos com rendimentos superiores o imposto é de 5%; subir para 300 euros anuais os impostos para profissionais que trabalham por conta própria, como advogados, encanadores e taxistas; reduzir o mínimo isento de taxação de 12 mil euros para 8 mil euros, embora fiquem de fora os trabalhadores menores de 30 anos e os aposentados, e criar o imposto imobiliário especial para os proprietários de bens de mais de 200 mil euros; aumentar impostos sobre bens de luxo como iates, piscinas e carros potentes; abre-se a possibilidade de legalizar imóveis construídos fora da lei após o pagamento de penalizações e eliminação do grande número de isenções fiscais; suprimir 150 mil empregos públicos, 25% do total, para o qual não serão prolongados os contratos temporários e só será substituído um de cada dez funcionários aposentados. Os salários, cortados em média de 12% no ano anterior, voltarão a ser reduzidos; suprimir as diversas prestações sociais para economizar 4 bilhões de euros até 2015. Cortar também de 500 milhões de euros em 2011 em conceito de subvenções e outros 855 milhões de euros até 2015, com a fusão de escolas, hospitais e quartéis da polícia; reduzir a despesa de saúde até 2015 em 2,1 bilhões de euros mediante a racionalização das prescrições e com remédios mais baratos; reduzir a despesa militar, o mais alto percentual dos países europeus da Otan com cerca de 4% do PIB, embora muitos analistas considerem que é maior pelo uso de verbas ocultas. No total, corte de 1,2 bilhão de euros até 2015 e cancelamento dos pedidos de armamento por 830 milhões de euros; arrecadar 5 bilhões de euros com a venda do monopólio de apostas e loterias OPAP, o Postbank, a empresa de gestão de águas de Salônica, a segunda cidade do país, e as empresas de gestão portuárias do Pireo e Salônica; entre 2012 e 2015, o Estado ingressar outros 45 bilhões de euros com a privatização da empresa de gestão de água de Atenas, refinarias, empresas elétricas, o ATEbank, especializado no setor agrícola, assim como a gestão de portos, aeroportos, estradas, direitos de exploração de minas e bens móveis e imóveis estatais.Com a aprovação do plano, os ministros das Finanças da Eurozona autorizaram, em 2 de julho, a liberação de nova parcela do empréstimo para a Grécia e acertam que definirão um novo plano de resgate para o país.Os problemas financeiros da Grécia não diminuem e, em 21 de julho de 2011, as principais autoridades da zona do euro decidem em uma reunião de emergência conceder amplos poderes ao fundo de resgate da região para ajudar a Grécia a superar a crise da dívida e evitar que aumente a instabilidade do mercado. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirma que os líderes da região de 17 países concordaram em abrandar os termos dos empréstimos para Grécia, Irlanda e Portugal. Ao mesmo tempo, investidores privados trocariam voluntariamente bônus gregos por títulos de prazo mais longo com juros mais baixos para ajudar Atenas. O juro dos empréstimos seria reduzido para cerca de 3,5%, de 4,5% a 5,8% anteriormente, e os vencimentos dos empréstimos seriam ampliados de 7,5 anos para no mínimo 15 anos e no máximo 30 anos.Em 11 de outubro, medidas econômico-financeiras são acertadas entre Atenas e o trio de organismos multilaterais (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu) que têm em mãos a decisão de se o país está apto a receber novos empréstimos para pagar suas dívidas e evitar uma moratória iminente.Em comunicado, o trio indica que a Grécia receberá mais 8 bilhões de euros - de um total de 110 bilhões de euros de seu pacote de resgate aprovado em maio de 2010 -, após o aval dos ministros das Finanças da zona do euro e da diretoria executiva do FMI.Liderados pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pela chefe de governo alemã, Angela Merkel, os países da zona do euro anunciam em 27 de outubro de 2011 ter conseguido com os bancos credores uma redução de 50% na dívida da Grécia. Em contrapartida, a Grécia deveria colocar em prática um novo pacote de cortes de gastos.Em 1º de novembro, o mundo acorda com a notícia de que, ao contrário do que vinha ocorrendo com as medidas anteriores adotadas pelos gregos, o primeiro-ministro do país, George Papandreou, disse que desta vez as discussões deixariam a esfera do Parlamento e gabinetes de ministros e, por precisar de maior apoio político para adotar as medidas fiscais e as reformas estruturais exigidas pelos credores internacionais, iria convocar um referendo público para aprová-las. A decisão foi criticada pelos credores e até mesmo por parte dos políticos na Grécia, enquanto Papandreou mantinha a decisão de consultar a população.

The Economist: A Europa a duas velocidades ou duas Europas?


Caderno do Charlemagne O futuro da UE
Europa a duas velocidades, ou duas Europas?

10 de novembro de 2011, 02:23 por  Charlemagne | BRUXELAS

Nicolas Sarkozy está causando uma grande agitação depois de, em 08 de novembro, dizer que a Europa está em duas velocidades: um núcleo "federal" composto pelos 17 membros da zona euro e outro lado perdedor "confederal" composto dos dez países que não fazem parte da Zona do Euro. Ele fez os comentários durante um debate com estudantes da Universidade de Estrasburgo. A passagem-chave está abaixo

"Você não pode fazer uma moeda única sem convergência e integração econômica. É impossível. Mas, pelo contrário, não se pode pleitear o federalismo e ao mesmo tempo a ampliação da Europa. É impossível. Há uma contradição. Nós somos 27. Nós, obviamente, temos que abrir para os Balcãs. Seremos 32, 33 ou 34. Imagino que ninguém pensa que o federalismo e a integração totais são possíveis em 33, 34, 35 países.Então, o que podemos fazer? Para começar, francamente, a moeda única é uma ideia maravilhosa, mas era estranho criá-la sem perguntarmos a nós mesmos sobre a questão da sua governança, e sem se perguntar sobre a convergência econômica. Honestamente, é bom ter uma visão, mas há detalhes que estão faltando: fizemos uma moeda, mas mantivemos os sistemas fiscais e econômicos que não só não eram convergentes, mas foram divergentes. E não só fazemos uma moeda única sem convergência, mas tentamos desfazer as regras do pacto. Dessa forma não funciona.Não haverá uma moeda única sem uma maior integração econômica e convergência. Isso é certo. E é para onde estamos indo. Devemos ter as mesmas regras para os 27 membros? Não. Absolutamente não [...] No final, claramente, haverá duas engrenagens Europeéias:. EUma egrenagem para uma maior integração na zona euro e uma engrenagem que é mais confederal na União Europeia "
À primeira vista esta é a afirmação do óbvio ululante. A zona do euro deve se integrar para se salvar, o mesmo dito pelos britânicos. E entre os dez países da zona do "não-euro" há países como a Grã-Bretanha e Dinamarca, que não têm a intenção de aderir à moeda única.A União Europeia é, em certo sentido, feita não de duas mas de várias velocidades. Pense apenas nos 25 membros da zona Schengen que viajam sem passaporte (excluindo a Grã-Bretanha, mas incluindo alguns membros não pertencentes à UE), ou nos 25 estados que procuram criar patentes comuns (incluindo a Grã-Bretanha, mas excluindo a Itália e Espanha).Mas os comentários de Sarkozy são mais preocupantes porque, suspeita-se, ele quer criar uma zona euro exclusiva e protecionista que busca destacar-se do resto da União Europeia. Em outras partes do debate, em Estrasburgo, por exemplo, o Sr. Sarkozy parece sugerir que os problemas da Europa - a dívida e alto desemprego - são todos culpa do "dumping" social, ambiental e monetário  feito por países em desenvolvimento que buscam "agressivas" políticas comerciais.
 Em outro insight sobre o pensamento de Sarkozy sobre a Europa, deve-se ouvir uma entrevista que ele deu uns dias antes, no final da maratona-cimeiras, em Bruxelas no final de Outubro:"Eu não acho que há bastante integração económica na zona euro, de 17 países, e também não acho que há muita integração na União Europeia de 27 países. "
Em outras palavras, a França, ou o Sr. Sarkozy, de qualquer modo, não parecem ter superado seus ressentimentos da ampliação da UE. Com 27 nações fortes, a União Europeia é demasiadamente grande para França assenhorear-se do resto e é muito liberal em termos econômicos para inclinações protecionistas da França. Por isso desejo de Sarkozy de uma menor, mais aconchegante e "federalista", zona do euro.
Este chimes com a idéia de uma Kerneuropa ("Europa unida") foi promovida em 1994 por Karl Lamers e Wolfgang Schäuble, atual ministro das finanças da Alemanha. Curiosamente, é a primeira vez que o Sr. Sarkozy, que é algo cético com relação a integração europeia, tem falado publicamente sobre o "federalismo", embora ele tivesse feito um comentário semelhante, em particular para os líderes europeus em Março. Ecoam as opiniões do antecessor socialista de Sarkozy, François Mitterrand.
Tais idéias parecem ter sido morto pelo grande alargamento a Leste da UE em 2004, e pela rejeição dos eleitores franceses da nova Constituição da UE em 2005. Mas a crise da zona do euro a dívida é reviver esses velhos sonhos.
Mas que tipo de federalismo? Sarkozy provavelmente quer criar uma zona do euro a imagem da França, com o poder (e muita discrição) concentrada nas mãos de líderes, onde o "Merkozy" duo (Angela Merkel e Nicolas Sarkozy) vai dominar. Alemanha, sem dúvida, quer uma réplica de seu próprio sistema federal, com regras fortes e poderosas instituições independentes para constranger os políticos. Le Monde traz uma série de artigos (em francês) sobre o que uma Europa a duas velocidades pode significar.Se a zona euro sobrevive à crise e ao colapso de títulos da Itália nos mercados, o que está se tornando cada vez mais difícil, o que vai claramente exigir profundas reformas dos tratados da UE. Feito corretamente, mantendo o euro aberto aos países que querem aderir (como a Polônia) e o aprofundamento do mercado único para aqueles que não (como a Grã-Bretanha), a criação de uma União Europeia mais flexível e de geometria variável pode aliviar muitas das tensões existentes . A ampliação não precisa mais ser tão nevrálgica, uma maior integração não precisa mais ser imposta a quem não quer.
Mas feita de forma errada, como se teme que com Sarkozy assim seria, esta será uma receita para dividir a Europa. Não dividir a Europa em duas velocidades, mas separa-las, torna-la duas.
Os primeiros passos para a integração, a ideia de realizar cimeiras regulares de líderes dos 17 países da zona euro, já causaram atritos iniciais com a Grã-Bretanha. Esta semana houve rachaduras, ainda mais quando, durante uma reunião de ministros da zona do euro finanças, em Bruxelas, os seus colegas dos dez estados de fora da zona do euro realizaram seu próprio jantar em separado num hotel próximo.
Tudo isso é alarmante para a Comissão Europeia, que é a servidora civil da UE e a guardiã de seus tratados. Falando em Berlim, em 09 de novembro, seu presidente, José Manuel Barroso, fez o que equivalia a uma repreensão direta ao Sr. Sarkozy.
"A Comissão congratula-se.  Na verdade,  temos respondido ao pedido de um longo tempo de aprofundamento das políticas de integração e de governação no âmbito da área do euro. Essa integração e convergência é a única maneira de melhorar a disciplina e estabilidade e garantir a sustentabilidade futura do euro. Em outras palavras, temos que terminar o trabalho inacabado de Maastricht para completar a união monetária com uma união realmente econômica .Mas a estabilidade e a disciplina também devem vir junto com o crescimento. E o mercado único é o nosso maior trunfo para fomentar o crescimento. Deixe-me ser claro, uma união de divisão não vai funcionar. Isto é verdade para uma união com as diferentes partes envolvidas em objetivos contraditórios; uma união com um núcleo integrado, mas com uma periferia desengatada; um sindicato dominado por um equilíbrio saudável de poder ou mesmo qualquer tipo de Diretório. Todos estes são insustentáveis ​​e não vão funcionar a longo prazo, porque eles vão pôr em causa um direito fundamental, eu diria sagrado, o principal - o princípio da justiça -, o princípio do respeito da igualdade, o princípio do respeito da regra de direito. E nós somos uma união baseada no respeito do Estado de Direito e não em qualquer poder ou força. Seria absurdo se o cerne da nossa união, um projeto econômico monetário consagrado na área do euro, que é o núcleo do nosso projeto, seria absurdo se este núcleo fosse tratado como uma espécie de "opção extra" da União Europeia como um todo. "
As palavras do senhor Sarkozy parecem ter chamado a atenção de Joschka Fischer, antigo estadista do Partido Verde da Alemanha e ex-chanceler, que disse que a UE com 27membros tornou-se pesada demais. "Vamos esquecer a UE com 27 membros, infelizmente", disse ele ao Die Zeit, um jornal semanário alemão. "Eu só não vejo que com esses 27 estados (a UE) nunca vai chegar a qualquer reforma significativa."
De fato, alguns pensam que a zona do euro em si pode ser menor do que os 17 membros (Grécia pode em breve deixar o padrão e euro). O discurso que todo mundo está esperando agora é o de Angela Merkel. A Chanceler quer mudar os tratados, e em 09 de novembro ela chamou de "um grande avanço para uma nova Europa".
Mas que tipo de Europa deve ser essa é o que ainda não foi dito.*

* Traduzido por Ulisses Barros, Economista e Mestrando em Economia pelo NUPEC (UFS).

domingo, 13 de novembro de 2011

Jogo da Rodada


O Jogo da rodada de hoje é o Coritiba e Flamengo no Couto Pereira.
O Coritiba na sua tradicional formação em 4-2-3-1 apostou muito nos ataques pela esquerda da defesa rubro-negra. A linha de três meias alternando muito de lado com Marcos Aurélio pelo meio/esquerda, Davi pela direita e Rafinha pela esquerda ou pelo meio. O atacante do Coritiba, Leonardo, também tentava se aproveitar do laedo esquerdo do Flamengo, jogando em cima do veterano zagueiro Ronaldo Angelim, o “magro de aço”. O ataque do Coritiba também encontrava um bom espaço no miolo de zaga adversária, conseguindo por um dos seus gols.
O Flamengo continua com problemas na passagem da bola do meio pro ataque, que se põe Renato abreu como volante, passando a atuar no 4-2-2-2 (4-4-2), com 2 meias tradicionais, passa a depender do ainda muito jovem Thomás, que não fez boa partida, o que fez com que o Luxemburgo optasse por Willams no seu lugar, retornado para o meio campo em losango.
Ao Flamengo falta finalizar. Falta também jogadores de meio com características de organização e armação, a primeira coisa Ronaldinho já não faz mais, pois é atacante. Deivid continua alternando céu e inferno com uma péssima partida dessa vez. A zaga reserva também fez diferença, muito embora a titular não faça muito mais. Falta plantel.
O Coritiba se ressente de maior regularidade do seu setor de defesa e também como boa parte dos times em fim de temporada lhe falta pernas. Compacto, o time marca muito bem na intermediária principalmente com seus meias, que fecham as laterais e permitiram marcação dupla em Ronaldinho, que muito pouco fez em jogo. Alias, todo setor ofensivo foi muito inoperante durante quase todo jogo. Pecou também no excesso de chances perdidas nos contra golpes oferecidos pelo adversário.