Valor Econômico - 28/03/2012
O governo central da Espanha anunciou ontem que o seu déficit
orçamentário subiu nos dois primeiros meses deste ano para € 20,7
bilhões, ou 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Num outro sinal de que
a quarta maior economia da zona do euro terá dificuldades para sair da
recessão, o governo confirmou a retração de 0,3% no PIB do último
trimestre de 2011 e indicou que a situação continua sombria no início
deste ano.
"A informação mais recente para o começo de 2012 confirma a
continuidade da contração na produção do primeiro trimestre deste ano",
afirmou o banco central em relatório mensal.
O déficit do governo central nos dois primeiros meses de 2011 havia
atingido € 13,8 bilhões, ou 1,29% do PIB. A cifra orçamentária
divulgada ontem não inclui as contas dos governos locais e regionais,
que responderam por grande parte do déficit do ano passado. Em 2011, o
déficit orçamentário geral da Espanha alcançou 8,5% do PIB. Para este
ano, a meta do governo é de um déficit de 5,3% do PIB, nível que muitos
economistas consideram quase impossível de alcançar sem agravar ainda
mais a recessão.
Nos dois primeiros meses do ano, a receita do governo caiu 1,3% em
relação ao mesmo período de 2011, para € 34,8 bilhões. Contudo, o
governo informou que a elevação do imposto de renda deve ter um efeito
positivo sobre a receita de março.
No ano passado, o governo conservador da Espanha - que assumiu o
poder em dezembro - anunciou medidas de emergências, incluindo o
aumento de impostos para reduzir o déficit orçamentário anual em € 15
bilhões. Além disso, cortes no orçamento no valor equivalente a cerca
de 0,5% do PIB vão ser incluídos no orçamento do governo que será
apresentado na sexta-feira.
Em Seul, onde participou de uma cúpula sobre segurança nuclear, o
primeiro ministro Mariano Rajoy disse hoje que o novo orçamento vai
incluir um corte médio de 14% a 15% nos gastos para cada um dos
ministérios do país.
Rajoy descartou novos aumentos de impostos e disse que está buscando
elevar a receita do governo através de medidas que estimulem a
atividade econômica em vez de aumentar os impostos sobre o consumo.
Em conjunto com a austeridade orçamentária, o governo espanhol
pretende, a partir do mês que vem, promover reformas no serviço público
do país e no setor de energia, acrescentou Rajoy, dizendo que seus
planos não serão afetados por uma greve geral convocada para esta
quinta-feira contra as medidas de austeridade do governo.
"Eu não me lembro de nenhum governo espanhol que tenha feito mais
reformas nos seus cem primeiros dias do que esse... e deve ser por isso
que a greve geral foi convocada", disse Rajoy. "O maior erro seria não
fazer nada além, só ficar parado, sem realizar mais reformas."
Essas foram as primeiras declarações públicas de Rajoy, após o
fracasso do conservador Partido Popular, do qual o primeiro-ministro
faz parte, na eleição de domingo, quando não conseguiu a maioria
necessária para formar um governo na Andaluzia, região mais populosa da
Espanha. A derrota é uma prova do crescente descontentamento da
população com as políticas de austeridade.
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